Além de guardar recordações, eu também me alimento de culpa. Por que eu não consegui te fazer ficar, mesmo me moldando a sua maneira, mesmo tentando ficar do seu "tamanho" .O sentimento de culpa é inevitável, fere o ego e não deixa de existir só porque você decide. Me perdi nesse abismo que é pensar e sentir.E assim eu me culpo porque você não me achou interessante, não me achou bonita, talvez eu estivesse um pouco gorda,talvez fosse o fato de eu falar de mais? Talvez eu só não fizesse seu tipo e isso é culpa minha, ou talvez eu fizesse e mesmo assim você não estava afim, o que é ainda pior. Pior porque só prova que eu fiz algo de errado pra não atender as tuas expectativas, que eu te frustrei no meio do caminho, que eu não segui a receita pra te conquistar direitinho, deveria ter começado na segunda e não na terça. Culpa minha, óbvio, e bem feito que eu me sinta destruída sempre que você me vem a mente.
Mas agora, pensando bem eu talvez não pudesse fazer nada. Porque tem umas coisas que fogem do nosso controle e talvez essa seja uma delas. Talvez não importasse o quanto eu me dedicasse, o quanto eu quisesse casar com teus gostos, o quanto eu me encaixasse em você, porque isso não depende de mim.
Na verdade, pensando melhor, nada depende exclusivamente da gente.Porque eu tentei te oferecer meu mundo, mas talvez você no momento não quisesse o mundo de ninguém.Pra amar não tem manual, dieta, ou mandinga. O amor é imprevisível. Mas o processo normal é sentir culpa por não ter sido o amor de alguém, por não ter inspirado o amor de alguém, e isso se torna um ciclo de auto-negação tão grande que nem cabe nesse texto. A culpa vai sendo mastigada, embolora no estômago, se torna martírio e quando for ver, a gente tá por aí achando que não é bom o suficiente pra ninguém só porque entendeu tudo errado nessa coisa de paixão, pessoas, expectativas e sentimentos. Amor não é ciência exata que a gente garante de olhos fechados,1+1 podem não ser dois, não tem como “caber” em alguém, não tem como seguir todas as regras pra garantir o sucesso da rota. Isso só gera frustração.
Não foi minha culpa, nem culpa do meu corpo, nem culpa da minha personalidade se o menino da sexta série não quis me namorar. Se o carinha mais velho do colegial preferia rock e eu MPB. Se o cara da outra cidade não gostava muito de mim e eu gostava muito dele. Então, pensando cá com as minhas dores, cheguei à conclusão de que eu não podia fazer nada e não tinha nada a ser feito. Eu não podia mesmo ter feito você me amar. E agora não me parece tão ruim assim ter que conviver com isso.